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Lubrificação de maquinários na produção de cachaça

O mesmo lubrificante que ajuda, também pode ser responsável por perdas imensuráveis, por deixar resíduos na cachaça e, ser considerado um perigo alimentar.

 

O processo de fabricação de cachaça requer operações processuais como corte, transporte, limpeza, moagem, pesagem, separação, engarrafamento, empacotamento etc, Essas operações necessitam de máquinas e equipamentos como:  cortadores, moedores, bombas, misturadores, tanques, tubos, motores, balanças, eixos entre muitos outros. Esses equipamentos que são formados por elementos mecânicos ou rotativos requerem fluídos hidráulicos, graxas, óleos lubrificantes para assegurar o        seu eficaz funcionamento.

Nos alambiques, a lubrificação dos maquinários é um processo eficaz na diminuição de custos, pois evita desgastes e danos nos equipamentos industriais.  A manutenção preventiva reduz falhas, pois aumenta a disponibilidade das máquinas e equipamentos e,  o que gera, consequentemente,  maior lucratividade.

No entanto, a lubrificação dos maquinários se faz necessária, mas o mesmo lubrificante que ajuda, também pode ser responsável por perdas imensuráveis, por deixar resíduos na cachaça e ser considerado um perigo alimentar.

Classifica-se como um perigo alimentar, qualquer contaminante inaceitável por algum agente físico, substâncias biológicas ou químicas (inclusive lubrificantes) que possa ser inseguro para o consumo humano.

Dentro da indústria alimentícia é utilizado um sistema de controle denominado Análise de Perigo e Pontos de Controle Críticos (APPCC), ou em ingês, Hazard Analysis And Critical Control Point (HACCP).

O sistema APPCC ou HACCP é, principalmente, um sistema preventivo, que identifica, avalia e controla os perigos que possam afetar a segurança alimentar. É uma abordagem estruturada e sistemática. Baseia-se na existência prévia de sistemas de gestão da qualidade fortemente implementadas, como as boas práticas agrícolas (GAP), boas práticas de fabricação (GMP), boas práticas de higiene (BPH) e as boas práticas em armazenamento (BPAL).

No Brasil, o DIPOA/Ministério da Saúde e da Agricultura (MAPA) determina a obrigatoriedade da adoção do HACCP em empresas de alimentos e bebidas, conforme a  Portaria  1428 de 1993 e Portaria 326 de 1997. O sistema APPCC ou HACCP é reconhecido internacionalmente, pela Comissão do Codex Alimentarius.

De acordo com as normas do APPCC ou HACCP todos os pontos de lubrificação dentro

de uma indústria  alimentícia são considerados pontos de controle críticos, ou áreas de

risco potencial. Assim, para a elaboração dos planos de lubrificação é importante considerar as recomendações desse programa, principalmente, quanto a escolha do lubrificante de classe alimentícia correta, os lugares a serem lubrificados, a quantidade a ser empregada e quais máquinas e equipamentos podem ser aplicados, o que trará benefícios na produção, porém, se erroneamente gerida e efetuada, pode ter efeito contrário.

No caso de se utilizar óleo mineral e/ou graxa em maquinário que mantém contato direto com a bebida, o prejuízo é ainda maior, pois esses produtos são considerados “perigos alimentares” e podem ocasionar contaminação, perdendo lotes inteiros, ou danos à saúde humana. Assim, o que era para ser redução de custo se transforma em desperdício e implicação judicial (normas de saúde).

O USDA (U.S. Department of Agriculture), Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, criou as designações originais dos lubrificantes de Grau alimentício: H1, H2 e H3, as quais são terminologias utilizadas em todo o mundo.

Os Lubrificantes de Grau Alimentício, que é um produto específico para lubrificação de equipamentos em indústrias alimentícias, farmacêuticas, cosméticos, medicamentos e de bebidas. São assim classificadas:

  • H1: São lubrificantes de Grau Alimentício usados em ambiente de processamento de alimentos onde existe alguma possibilidade de incidental contato alimentar;
  • H2: São lubrificantes usados em partes de equipamentos e máquinas que estão em locais onde não há nenhuma possibilidade que o lubrificante ou a face lubrificada entrar em contato com os alimentos;
  • H3: São lubrificantes conhecidos como óleo solúvel ou comestível, são usados para limpeza e prevenção de ferrugens em ganchos, talhas, carretilhas e equipamentos semelhantes;
  • HT1: podem promover contato incidental com o produto final, pois são fluidos de troca de calor.

As graxas alimentícias aprovadas pelos órgãos regulamentadores, geralmente são fabricadas com óleo mineral branco e aditivos. Além de baixa toxicidade, sem odor ou gosto, adere facilmente ao metal, resiste à ação de produtos químicos, à corrosão, à oxidação, à lavagem por água, com maior duração da lubrificação e apresenta desempenho eficaz em grandes variações de temperatura, com consumo menor de energia ao longo de todo o processo.

O processo de produção de cachaça artesanal deve também ser regido pelas Boas Práticas de Fabricação, fortalecendo ainda mais, o melhor destilado do mundo.

 

Por

Maria das Graças Souza

Especialista em Marketing de Produção de Alimentos e Bebidas

Email: gracasouza@sitedacachaca.com.br

 

 

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