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Geadas geram perdas na produção de cachaça

geada cana

As geadas causam perdas na produtividade da cana-de-açúcar, e consequentemente baixo rendimento na produção de cachaça.

 

As perdas na produção da cana-de-açúcar dependem de fatores como a intensidade da geada, inclusive o tempo que ela permanece em baixas temperaturas, o local de plantio, as condições ambientais e as variedades cultivadas.

Para um crescimento ideal, forte e vigoroso que garanta alta produção e rendimentos de açúcares, a temperatura média durante o dia deve ser entre 22° a 30° C. A temperatura mínima para o ótimo desenvolvimento vegetativo deve ser de aproximadamente 20°C. Abaixo disso, a produção é prejudicada. (Embrapa/ cana).

A temperatura abaixo de zero em tempos prolongados causa perdas à cana-de-açúcar, que podem ser a queima de folha, morte da gema apical,  gemas laterais superiores, e também a morte de todas as gemas laterais.

As partes prejudicadas adquirem, de início, uma aparência aquosa, escurecida e em pouco tempo tornam-se focos de proliferação de fungos e bactérias. Quando morre somente a gema apical, as outras gemas brotam surgindo uma cana com múltiplas pontas ou “envassouradas”.

As maiores preocupações estão com a cana de ano e com a cana que foi cortada na safra anterior. Esses canaviais, além de interromperem o processo de desenvolvimento reduzindo a produção,  encontram-se com menor teor de sacarose por não terem ainda atingido a idade mínima para corte de 12 meses.

Cortar os canaviais de imediato, não é uma solução.

Passados 10 dias das geadas mais fortes, a primeira providência é realizar um levantamento para quantificar a intensidade das geadas no canavial e as suas perdas. A partir desse levantamento é possível programar as ações para minimizar suas consequências. Esse levantamento deve ser prático, rápido, pode ser adotado o sistema de notas, onde separa as áreas com geadas fortes, geadas leves e áreas sem ocorrência de geadas.

Onde há variações de danos nos talhões canavieiros afetados, recomenda-se cautela nesse levantamento, pois uma avaliação errada tende a perder o próximo corte da colheita.

Para avaliação dos danos causados pela geada ao canavial, recolhe-se 3 amostras de 10 colmos do interior dos talhões afetados,  esses colmos devem ser abertos longitudinalmente para melhor averiguação. As gemas laterais devem ser cortadas transversalmente, sendo que as mortas apresentam-se escurecidas.

Em canavial que sofreu danos severos com a geada, a deterioração dos colmos pode começar a ocorrer em menos de 10 dias. Não ocorrendo à morte das gemas laterais, a redução da qualidade ficará restrita aos primeiros entrenós do ponteiro. O desponte, na altura correta, pode minimizar os estragos da geada.

As gemas laterais podem estar levemente escurecidas, mas não mortas. Caso haja dúvida, vale esperar mais 10 ou 15 dias para ter a certeza do desponte.

Caso os canaviais de ano e meio e socas cortadas antes da geada estiverem com poucos perfilhos com entrenós ou sem entrenós formados não devem ser rebaixados. Mas, no caso de canaviais com maioria de perfilhos apresentando entrenós formados e que foram afetados com as geadas, devem ser rebaixados.

A colheita deve ser iniciada pela cana que mais foi afetada pela geada, ou seja, caso tenha sido alto, administra-se o corte, priorizando a cana geada mais madura e mais prejudicada.

Como o volume de cana-de-açúcar afetado pela geada é grande para a moagem diária, não podendo efetuar o corte de uma só vez, recomenda-se liberar gradativamente, monitorando as áreas atingidas de acordo com análises tecnológicas, (pol, brix, açúcares redutores e acidez titulável).

Canaviais com previsão de corte para até 60 dias, apesar dos impactos da queima das folhas e que serão perdidas no corte, haverá uma maior concentração de açúcar na cana, o que resulta numa maior produtividade.

Nas áreas do canavial com danos leves, dependendo das condições climáticas, a perda de qualidade tecnológica demora um pouco mais a ocorrer, podendo manter teores de sacarose por 45-50 dias.

Torna-se difícil realizar um desponte adequado quando a colheita é mecanizada.

Certamente no próximo ano, poderão faltar mudas bem desenvolvidas na época do plantio de verão.

A cana de ano e meio com a geada perde sua massa verde, facilitando o surgimento de ervas daninhas, principalmente nas soqueiras recém-brotadas. Nesse caso e em áreas já cultivadas, após análise de solo, certamente haverá a necessidade de adubação suplementar com nitrogênio, para evitar o desequilíbrio no manejo do corte.

O primeiro corte após o ano de geada resulta numa produção com teor de açúcar desigual, o que não é bom para a produção de cachaça.

Em áreas sujeitas à ocorrência de geadas, é recomendado o cultivo das variedades de cana-de-açúcar mais resistentes ao frio. Em situações mais críticas, como medida de precaução, evitar o plantio em terrenos de baixada ou fundo de bacias com  pouca drenagem. Caso a temperatura média diurna seja inferior a 15º C, durante alguns meses do ano, é preciso recorrer a variedades precoces e mais resistentes ao frio. (Fonte: Embrapa/ cana).

Por mais que se faça, os canaviais queimados pelas geadas representam riscos de perdas consideráveis, que precisam ser administrados para minimizar os prejuízos. Porém, na maioria das vezes, não se consegue evita-los completamente.

Fonte: Embrapa/ cana

 

Por Maria das Graças de Souza

Diretora de Comunicação

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Email: gracasouza@sitedacachaca.com.br

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