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Espelho de eficiência

ANDEF    Fotos: Tatiana Ferro

Por Coriolano Xavier, Vice-Presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM.

 

As cadeias produtivas do agronegócio aparecem com destaque em um estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), produzido para avaliar o grau de competitividade e preparo do setor industrial brasileiro, para a chamada era da “Indústria 4.0”, marcada pela adoção de tecnologias digitais como robótica, ciber segurança, big data e realidade aumentada.

O estudo segmentou a indústria nacional em 24 setores e aferiu o poder competitivo de cada um, segundo três aspectos: produtividade, exportações e taxa de inovação. No nível mais alto estão setores que são a ponta de cadeias produtivas do agronegócio: setor alimentício, de fumo, bebidas, celulose e papel. Além deles, o setor extrativista também figura no grupo. Todos com elevada eficiência competitiva, às vezes superior às médias internacionais.

O mesmo estudo revela um lado oposto e alarmante, com 14 setores industriais situados no nível mais baixo de competitividade global – com pouca exportação, pouca inovação e baixa produtividade.  Representam 60% dos setores avaliados, 38% do PIB industrial brasileiro e vem merecendo discussões para um programa de recuperação, envolvendo entidades, empresas e governo. O que também interessa ao agro, pois fortaleceria a economia e o mercado interno.

Os quatro setores industriais destacados no estudo da Confederação configuram um espelho e mostram um fato positivo mais amplo, quando se olha para o agro de ponta a ponta. De um lado temos a força competitiva diagnosticada pela CNI; de outro, um sistema de produção rural dinâmico e inovador, cuja produtividade total dos fatores de produção cresceu 3,53% ao ano, nos últimos 40 anos. Escala, tecnologia e qualidade foram os pilares do campo nesse avanço.

O que veio antes nessa bem sucedida corrida pela competitividade? A indústria ou o campo?  A teoria econômica clássica diz que, nas cadeias de valor agregado, o impulso modernizador vem da ponta da demanda. Mas, no mundo veloz, integrado e hiper tecnológico do século 21, essa talvez seja uma falsa questão, pois a evolução tem que estar alinhada e caminhar junto em todo o sistema de produção alimentar – do campo à mesa.

Não há mais tempo para se perder o bonde. Quem não acompanhar fica para trás e fica de fora. Quem de nós não conhece um exemplo desses entre vizinhos da mesma cidade, amigos ou parentes? Hoje, a posição forte do agronegócio e dos setores industriais a ele associados exige um mantra: buscar e manter o topo de eficiência, para sustentar a competitividade. Isso vale para todo o mundo, na agropecuária e na indústria a ela conectada.

Vale para o agricultor de FLV, a empresa agrícola de commodities, o pecuarista com genética boa e gado bom, o pequeno suinocultor integrado a um sistema de produção exportador. Inovação é o nome do jogo e gestão a cereja do bolo. E o que às vezes vai estar em pauta será a sobrevivência competitiva e o crescimento econômico de um produtor, de uma cooperativa ou de todo um setor.

 

            Sobre o CCAS

O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto. 

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico. 

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas. 

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS no Facebook: http://www.facebook.com/agriculturasustentavel.

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