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Cachaça: Valorização da produção e consumo

Enquanto que no Brasil a cachaça ainda sofre a falta de reconhecimento do seu real valor e é associada à bebida de pobres (já há mudanças), apreciadores internacionais qualificam-na como excepcional, justifica-se isso pelo número de países importadores da nossa bebida em 2019.

Mesmo diante de ações de várias entidades e órgãos públicos para  registro dos produtores junto ao Ministério da Agricultura (MAPA) e pela adesão aos programas de Boas Práticas de Fabricação (BPF)  entre outros, o esforço para garantir uma cachaça dentro dos padrões legais de comercialização e exportação e que poderia servir para controle de produção, comercialização e consumo é, também, o esforço para deslegitimar qualquer cachaça que não atenda aos requisitos estabelecidos pela legislação e, que poderia ser de excelente qualidade.

Sem comprovação, somente “chute”,  calcula-se  que o Brasil possui 40 mil alambiques. Sendo que 90% são de pequenos produtores de cachaça que atuam  na informalidade em todo o País.

Esses pequenos alambiques do “modo de saber-fazer”, destilam suas cachaças nas práticas tradicionais, com algumas variações passado de geração à geração, desde o período colonial e são encontrados em todos os estados brasileiros. Lucram com a distribuição e o consumo regionalizado tornando a pequena produção um negócio rentável, mas que poderia ser maior.

A crescente demanda por produtos da terra, locais, tradicionais, artesanais, orgânicos, associados ao registro no MAPA, à legislação e às BPF para uma produção responsável, legitimada pelos padrões de qualidade, certamente vem garantir uma expansão comercial com resultados positivos, financeiramente para o produtor e a garantia de boa cachaça para o consumidor.

A produção agro brasileira é de 23,5% do PIB e representa 42% das exportações nacionais de acordo com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), esses percentuais despertam um crescente interesse por parte de pesquisadores, técnicos, universidades,  instituições e empresas fornecedoras de serviços e insumos, não somente nas grandes produções, como nos sistemas de pequena produção e local.

Não é por falta de assistência técnica, de competência ou habilidades que a maioria dos produtores de cachaças ainda não despertou para a importância da necessidade de valorização de seus produtos (registro, marca, BPF etc). A percepção de risco associadas à produção e consumo da cachaça é de extrema importância para a saúde pública. Não há a necessidade de grande produção, seja eficiente, dê um preço justo para sua cachaça. Deixe de vender para “picaretas e atravessadores”!

Houve mudanças, está mudando… há um público consumidor mais elitizado, exigente, que prefere consumir cachaça à outras bebidas. Melhore e valorize sua produção, embalagem, rótulo, marca, especificações e venda, pois a cachaça está em ascensão social, ganhando espaço nas prateleiras mais nobres de hipermercados, cachaçarias, adegas, hotéis e bares dos grandes centros.  A internet nos mostra uma quantidade de empresas online que vendem cachaça. E há também as confrarias dos amantes da cachaça que estão em muitos Estados promovendo encontros e valorizando a bebida. Não poderia deixar de mencionar a Confraria das Mulheres da Cachaça que já ultrapassou 250 confreiras.  E há as universidades e empresas privadas com cursos específicos para aprimoramento da produção e envelhecimento de cachaça.

Com a valorização e elitização da cachaça, grandes empresas passaram a pesquisar, desenvolver e testar modelos de copos, garrafas especiais, embalagens  para a valorização da bebida. Há os concursos que elegem as melhores marcas, exemplo disso é o IV Ranking Cúpula da Cachaça onde foram eleitas as 50 Melhores Cachaças de 2020-2021.

A cachaça é brasileira e carrega 500 anos de história, esse tempo é grande, cheio de mudanças e ela sobrevive forte na nossa cultura.

Ajuste-se às necessidades do mercado. De início nacional e porque não, logo mais, internacional.

  Um brinde à cachaça!

 

Por: Maria das Graças Souza – Nutricionista

Especialista em Marketing de Produção de Alimentos e Bebidas

WZ (11) 97602-2276

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