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Dr. José Otávio de Carvalho Lopes foi eleito Diretor Presidente da AMPAQ

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A Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade – AMPAQ, no dia 5 de maio,  em Assembleia Geral elegeu e empossou o Dr. José Otávio de Carvalho Lopes, para ocupar o cargo de Diretor Presidente para o mandato 2016 a 2018.

Em entrevista ao Site da cachaça, o Dr. José Otávio de Carvalho Lopes nos fala sobre os objetivos e os desafios de sua gestão na AMPAQ, uma das mais importantes entidades do setor de cachaça artesanal.

 

Site da Cachaça – Quais os motivos que o levou a candidatar-se ao cargo de Diretor Presidente da AMPAQ?  Quais são os projetos e ações a serem desenvolvidos na sua gestão?

Dr. José Otávio de Carvalho Lopes – Fui convidado para compor a chapa da AMPAQ, que elegeu a diretoria para o triênio 16/18.

É um grande desafio participar como presidente desta entidade, onde propusemos focar nossa administração em três pilares:

1º – Fortalecer a CAF (Coordenação de Auto Fiscalização) dando condições técnicas para exercer a qualificação e a reavaliação da cachaça;

2º – Promover união e aproximação dos associados, buscando agrupar maior número de produtores, fortalecendo o grupo;

3º – Modificar o estatuto da AMPAQ e promover uma adequação do mesmo, envolvendo toda a cadeia produtiva do agronegócio, desde o plantio da cana, passando pela produção até a exportação do produto final armazenado ou envelhecido.

 

Site da CachaçaQuais serão suas maiores barreiras a enfrentar?

Dr. José Otávio de Carvalho Lopes – Sabemos que teremos várias barreiras a enfrentar, entre elas e de grande importância, trabalhar no sentido de diminuir e simplificar a abusiva carga tributária, que chega a 83% do preço do produto nas prateleiras do supermercado, o que contribui para aumentar a clandestinidade dos produtores de cachaça de alambique, comprometendo a qualidade da cachaça não certificada.

Outra barreira, a quebra do preconceito contra a bebida principalmente nas classes sociais mais elevadas.

 

Site da Cachaça – Como o associado da AMPAQ pode ajudar no desenvolvimento da cadeia produtiva?

Dr. José Otávio de Carvalho Lopes – Considerando a importância da AMPAQ e a possibilidade de a transformarmos em uma entidade voltada à reestruturação da cadeia produtiva da cachaça, incentivando a participar como associados, além dos produtores, empresas ligadas ao melhoramento e técnicas do plantio da cana, indústrias produtoras de equipamentos ligadas à cana de açúcar, indústrias de alambiques, caldeiras, reservatórios, tanoarias, projetistas da indústria da cachaça, indústrias de garrafas, tampas, lacres, rótulos, embalagens, laboratórios de análises, profissionais do design e publicidade etc.

 

 Site da CachaçaQual ou quais os principais motivos que desencadearam o crescimento na produção de cachaça nos últimos 10 anos?

Dr. José Otávio de Carvalho Lopes – Reconhecimento como patrimônio cultural brasileiro;

– Reconhecimento da caipirinha como drink nacional;

– Reconhecimento dos Estados Unidos, como bebida típica e de produção exclusiva do Brasil;

– Criação de Confrarias, Academias e Clubes da Cachaça e surgimento de profissionais especializados em cachaça (cachacier, baristas e bartenders), ocasionando uma maior aceitação pelos consumidores mais exigentes.

Tudo isso e com a perspectiva da cachaça se consolidar como o destilado mais consumido do mundo, saindo da posição de 3º para 1º lugar.

Penso que dando oportunidade para a maioria dos produtores de cachaça que estão na

clandestinidade, seremos capazes de abastecer os mercados interno e externo com o produto

genuinamente brasileiro e de qualidade.

 

 Site da Cachaça – Em quais aspectos o setor de cachaça foi atingido com a atual situação econômica do Brasil?

Dr. José Otávio de Carvalho Lopes – Em plena crise econômica, um setor que já era tributado em demasia, sofreu mais um aumento, elevando o IPI para 25% do produto, totalizando 83% a carga tributária da cachaça.

Com isto, inviabilizou o mercado interno, estimulando por consequência alguns poucos produtores à exportação e a maioria à clandestinidade.

 

 Site da Cachaça – Fala-se que a cachaça de qualidade apresenta índices de pureza superiores aos destilados, como o rum, o uísque e a vodca. Quais os fundamentos dessa afirmação, sendo o Sr. um produtor de cachaça?

Dr. José Otávio de Carvalho Lopes – A cachaça artesanal de alambique, apresenta um alto grau de pureza, uma vez que somente  o “ coração” do destilado é aproveitado para bebida sendo desprezadas a “ cabeça e a cauda”.

A cachaça é um dos poucos destilados a ter um sabor agradável desde o momento da destilação até o envelhecimento, o que não acontece com os demais destilados.

  

Site da Cachaça – Levando-se à ponta do lápis, qual o custo médio para produzir um litro de cachaça, inclusive considerando o engarrafamento, rótulo e embalagem?

Dr. José Otávio de Carvalho Lopes – O valor médio com engarrafamento, rótulo e embalagem gira em torno de R$ 10,00, que daria para o produtor, em torno de R$ 1,70, para cobrir o custo do líquido, o que não cobre o custo de produção.

 

 Site da Cachaça – A falsificação e o batismo da cachaça ainda é uma realidade que os produtores, associações e consumidores enfrentam.  Há uma forma de combater a falsificação ou minimizar essa situação?

Dr. José Otávio de Carvalho Lopes – Sim, a falsificação é muito frequente.

O combate à falsificação deverá ser feita por meio de selos e certificações realizadas por órgãos idôneos e competentes, com reciclagens temporárias.

 

Site da Cachaça – A classificação “Cachaça Artesanal” ainda não consta nos registros das nossas exportações. Artesanal ou de coluna (industrial) para os órgãos do governo é tudo ou simplesmente cachaça. Com o Sr. vê essa classificação?

Dr. José Otávio de Carvalho Lopes – Acho uma injustiça para com a “Cachaça Artesanal” ser colocada no mesmo nível da cachaça de coluna ou industrial, mas acho que os consumidores saberão diferenciá-las.

 

Site da Cachaça – Produção de cachaça é um bom negócio? Por quê?

Dr. José Otávio de Carvalho Lopes – A produção de cachaça de alambique não pode ser considerada um bom negócio, para aqueles produtores que atendem a todas as exigências dos órgãos fiscalizadores, pela excessiva tributação da cachaça. Para cada 10 garrafas colocadas na prateleira de um supermercado mais de 8 garrafas são para pagamento de impostos e tributos e ainda somos impedidos de participar de SIMPLES NACIONAL, que minimizaria muito os entraves burocráticos e tiraria muitos produtores da clandestinidade, uma vez que mais de 90% deles em Minas Gerais são clandestinos.

Vejo a exportação como saída para os produtores de cachaça, uma vez que o mundo inteiro está ávido por cachaça de qualidade e está havendo uma mudança no gosto do consumidor fora do Brasil.

 

 

O Dr. José Otávio De Carvalho Lopes é médico anestesiologista,  ex Presidente da Sociedade de Anestesiologia de Minas Gerais, ex Presidente da Cooperativa dos Produtores de Cordeiro de Minas Gerais, produtor rural na área da pecuária e no ramo da agroindústria da cachaça, fabricando a Cachaça Bem me Quer, Santa Romana e Souza Paiol, além de participar do ramo imobiliário em Pitangui MG.

 

Crédito Foto: AMPAQ

Por Maria das Graças de Souza

Diretora de Comunicação do www.sitedacachaca.com.br

Tel. (11) 3564-2276/ (11) 9 7602-2276

Email: gracasouza@sitedacachaca.com.br

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